Oie.
A pré-venda começou e que tal dar uma lida no primeiro capítulo do Mapas para sentir o que vem por ai?
Capítulo 01
Segunda, 12 de julho de 2021.
Isso aqui está um caos!
Quero muito entender como para algumas pessoas tudo voltou ao “normal”, ou melhor, ao “novo normal”. Esse é o novo termo queridinho de todo mundo. Odeio essa palavra. Odeio como eles normalizaram tudo que aconteceu nesse último ano.
Fiquei presa em casa desde março de 2020. Foi quase um ano e meio em que não tive coragem de meter a cara na rua, muito menos pensar em voltar a me aglomerar de novo. A vacina foi descoberta tem quase seis meses e, sinceramente, não me sinto segura em estar no meio de todo mundo de novo, não tem como ser como era antes
Tudo que aconteceu nesses últimos meses me deixou marcas, e não sei se podem ser apagadas.
Agora estou aqui, no meio de um aeroporto lotado, sentindo uma crise de pânico se instalar aos poucos e com a minha melhor amiga e responsável por essa decisão na linha.
– Eu sei o que você está fazendo!
Roberta parece estar lendo meus pensamentos. Ela sabe que estou a um passo de voltar para casa e não embarcar nesse voo.
– É a sua maior oportunidade como autora, você não pode deixá-la passar. Pega seu álcool em gel e lencinhos desinfetantes e entra nesse avião AGORA!
Ela testemunhou de perto o que foi esse meu quase um ano e meio em casa, e deve imaginar que estou quase dando meia volta para ficar, no mínimo, mais um ano trancada. Pegar esse avião está sendo uma grande batalha.
Antes de tudo explodir e a pandemia nos obrigar a ficar em casa por tempo indeterminado, ela inscreveu meu livro em um concurso literário na FictionCon, a maior convenção literária do mundo. Para a minha surpresa, e não a dela, ele acabou sendo um dos finalistas. Mas, meses depois, tudo estourou no mundo, isolamento social por toda parte, menos aqui no Brasil. Você já pode imaginar que todo o plano e o sonho de conhecer um outro país e umas das minhas cidades literárias favoritas ficou para depois. Já não contava que fosse realmente acontecer, até que chegou um e-mail da organização, informando que a premiação seria no evento deste ano e que precisava estar em Nova York para saber qual seria o resultado.
– Amiga, vamos manter a calma ok?! Eu sei, vou embarcar e ficar quase doze horas presa dentro de um avião com várias bactérias diferentes para chegar em Nova York e lançar meu livro para o mundo. Não precisa se preocupar.
Eu podia vê-la revirando os olhos do outro lado da linha com todo o meu drama, mas sem questionar nada. Só ela sabe o quanto foi difícil tomar essa decisão e pegar esse voo.
– Vai embarcar e me conta tudo o que rolar, principalmente qual a verdadeira cara do G. W. Wills, se é uma daqueles italianos gostosos ou um velho barrigudo cheio de manias.
Impossível não achar graça, mas vou confessar que esse também é um dos motivos que está me convencendo a pegar esse voo. G.W. Wills é um dos maiores escritores de romance policial da nossa geração e um dos meus autores favoritos da vida!
Óbvio que esse nome é um pseudônimo e ele prometeu revelar a sua identidade na convenção. Eu e meus amigos já estamos cheios de teorias sobre quem deve ser. Particularmente acho que é uma mulher, mas as apostas então em um italiano gostosão cheio de problemas existenciais. Isso é que dá ler muito romance hot. A outra aposta é a de que ele não passa de um velho careca. Sinto que vamos ser surpreendidos.
Estou me sentindo um verdadeiro peixe fora d’água.
Ninguém está usando máscara, tem algumas pessoas que até estão me olhando estranho como seu eu fosse maluca. Nem todo mundo foi vacinado ainda, e como sabemos até agora, não é uma certeza que a imunidade dure mais do que três meses.
Agora realmente quero entender o porquê da necessidade de se aglomerar dessa maneira, a fila para entrar no avião está enorme, nem parece que os assentos são numerados, será que eles não entendem que ninguém vai pegar o lugar de ninguém? Fora que um metro e meio de distância entre as pessoas nunca existiu né, paraense é um povo a ser estudado. Descobriu a cura do vírus antes de todo mundo só para ir à praia nas férias de julho, respeitar o distanciamento que é bom nada.
– Eu quero entender sabe, porque esse povo está com pressa de entrar? - Reclamo para ela pelo celular.
– Pelo amor de Deus, não me vai arranjar confusão porque alguém esbarrou em você no meio de um voo internacional! - Ela me conhece muito bem.
– Eu sei, eu sei. Se alguém encostar em mim eu espirro com meu vidro de álcool 70 na cara da pessoa. - Falei rindo sabendo que ela ia ficar nervosa.
– LUANNA DE DEUS!
– É brincadeira, pode ficar calma. Já está chegando a minha vez, falo com você de novo quando chegar lá, ok?
– Ok! Se cuida, tudo vai dar certo. Um ótimo voou.!
É isso, tenho que focar em como esse é um grande passo para a minha história, conseguir entrar nesse avião e vencer meus medos, não deixar a insegurança com o mundo e a minha escrita me vencer.

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